Montar o kit da primeira menstruação é uma das coisas mais simples e mais úteis que dá para fazer nessa fase. Leva uma tarde e resolve o pior dia possível.
A lista abaixo tem o que realmente faz diferença na mochila, onde guardar, e uma coisa que quase todo kit esquece e que costuma ser a mais importante de todas.
O que colocar no kit
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Dois ou três absorventes noturnos
Noturno, não diário. O fluxo da primeira vez é imprevisível e o absorvente maior evita o vazamento, que é o medo número um. Vale ensinar a abrir um antes, em casa, sem pressa.
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Uma calcinha extra
Simples, de algodão, numa cor escura. É o item que transforma um acidente em um contratempo pequeno. Pode ser uma calcinha absorvente, se você preferir, mas a de algodão comum resolve.
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Uma sacolinha ou nécessaire opaca
Precisa caber dentro da mochila e não denunciar o conteúdo. Essa parte parece boba e não é. Ser vista tirando um absorvente da mochila é uma preocupação real nessa idade, e uma nécessaire fechada resolve.
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Lenços umedecidos
Para limpar as mãos e se ajeitar em banheiro de escola, que nem sempre tem papel. Os sem perfume são melhores para a região íntima.
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Um saquinho para descarte
Um saquinho plástico pequeno, desses de pão, resolve. Evita o constrangimento de atravessar o banheiro com o absorvente na mão.
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Um analgésico simples, se a escola permitir
Vale combinar antes com a secretaria ou com a enfermaria, porque muitas escolas não deixam a criança carregar remédio. Se não puder, o combinado é saber a quem pedir.
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Um bilhete seu
Uma linha só, escrita à mão, dizendo que está tudo bem e que ela pode te ligar a qualquer hora. Custa nada e muda o tom da caixa inteira.
| Item | Por que entra |
|---|---|
| 2 ou 3 absorventes noturnos | O fluxo da primeira vez é imprevisível e o maior evita vazamento |
| Calcinha extra de algodão | Transforma um acidente em contratempo pequeno |
| Nécessaire opaca | Ela tira da mochila sem ninguém ver o que é |
| Lenços umedecidos sem perfume | Banheiro de escola nem sempre tem papel |
| Saquinho para descarte | Evita atravessar o banheiro com o absorvente na mão |
| Analgésico, se a escola permitir | Cólica nos primeiros ciclos é comum |
| Um bilhete seu | Muda o tom da caixa inteira e custa nada |
Onde guardar e como entregar
O kit funciona melhor em duplicata: um na mochila, que fica lá o tempo todo, e um em casa, no banheiro dela, onde ela alcança sem pedir.
Sobre a entrega, vale evitar o clima de cerimônia. Um kit entregue como um grande momento pode constranger, porque coloca a menina no centro de um assunto que ela ainda está processando. Entregar de forma corriqueira, mostrando onde fica cada coisa e dizendo que está ali para quando precisar, costuma funcionar melhor.
O que quase todo kit esquece
Se você procurar listas de kit de primeira menstruação, vai encontrar dez versões da mesma coisa: absorvente, calcinha, lenço, nécessaire. Tudo isso importa, e tudo isso resolve o problema do dia.
O que raramente aparece é a parte que resolve o problema do mês seguinte, e do ano seguinte: ela entender o que está acontecendo com o corpo dela.
Sem saber o que está acontecendo, a primeira conclusão de uma menina que sangra nunca é puberdade. É machucado, é doença, é morte. Umas escondem a calcinha, outras ficam o dia inteiro na escola sem abrir a boca. O absorvente na mochila não resolve isso.
O relatório do UNICEF e do UNFPA sobre menstruação no Brasil coloca isso com todas as letras: quando o assunto só existe em forma de apelido, um processo normal do corpo some de vista, e no lugar dele ficam crenças que a mulher carrega pela vida inteira.1
E informar não adianta nada no sentido de acelerar. O guia internacional de educação em sexualidade, assinado por seis agências da ONU entre elas a UNESCO, o UNICEF e a Organização Mundial da Saúde, se apoia numa revisão ampla de estudos e conclui o contrário do que o medo sugere: esse tipo de conteúdo não faz a vida sexual começar antes, e quando é bem feito ajuda a adiar.2
Dois itens que completam o kit
Por isso vale acrescentar duas coisas que não são de higiene.
A primeira é um calendário ou caderninho de ciclo, onde ela anota o primeiro dia. Nos dois primeiros anos o ciclo costuma ser irregular, e anotar é o que faz ela parar de se assustar com atraso e começar a conhecer o próprio corpo.
A segunda é alguma coisa que explique o que está acontecendo, na linguagem dela e no tempo dela. Conversa é o ideal, mas conversa acontece uma vez. Material escrito ela relê sozinha, no quarto, quantas vezes quiser, inclusive nas partes que ela ficou com vergonha de perguntar.
Quem escreveu sobre isso montou o próprio kit tarde
Berenice Shakti é fisioterapeuta pélvica e trabalha com saúde da mulher há mais de vinte anos. Ela cresceu numa casa onde nada faltava, a não ser informação sobre o próprio corpo, e engravidou aos 17 anos.
Anos depois, atendendo mulheres no consultório, ela reconheceu um padrão que já conhecia por dentro.
"No consultório eu reconhecia em cada paciente o preço daquilo que ninguém falou. Um preço que eu mesma paguei."
Berenice Shakti
Quando a própria filha se aproximou dessa fase, ela descobriu que saber o conteúdo não resolvia o problema. Chamar uma menina de 10 anos para uma explicação sobre o ciclo dela quase nunca dá certo, porque nessa idade ser o tema da conversa dá vergonha e ela só quer que termine. A mesma menina, lendo sobre uma personagem que está passando por aquilo, aprende de lado e volta depois com a pergunta. Foi por isso que ela escreveu uma história em vez de um manual.

O Diário de Adelaine
É um conto ilustrado, feito para a própria menina ler. A história se passa num reino onde um rei apagou tudo que fosse feminino: as cores, as canções, o que se sabia sobre o corpo, até a lembrança das mulheres que vieram antes. Adelaine vive ali até o corpo dela começar a mudar, e é justamente isso que a faz ser mandada embora. Na floresta ela encontra as mulheres que guardaram esse conhecimento e descobre o que ninguém nunca tinha explicado.
Ao longo da história entram a menstruação e os ciclos, as mudanças do corpo na puberdade, o autocuidado, o consentimento e o respeito ao próprio corpo, e também como a vida é gerada. É indicado a partir dos 9 anos e funciona tanto antes quanto depois da primeira menstruação.
No kit, ele é o item que a menina vai reler sozinha. E o calendário menstrual, a R$ 9,90, é o que ela usa para começar a acompanhar o próprio ciclo desde o primeiro mês.

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O que as mães contam
São 217 avaliações de compradores verificados, com média 4,8 de 5.
"Minha filha amou, está lendo sem parar."
nathalia_boni
"Chegou super bem embalado, dentro do prazo informado. Estou quase terminando de ler, para depois passar para minha filha ler."
Adriane Assmann Bach
"Muito boa. Minha filha amou o presente, começou a ler."
likabvalencio
Onde comprar os itens do kit?
Tudo que é de higiene você encontra em farmácia e sai barato. O item que costuma faltar não está na farmácia, é o que explica para ela o que está acontecendo.
Quanto custa montar um kit?
A parte de higiene raramente passa de vinte ou trinta reais. O que muda o resultado é o que você coloca junto: um calendário para ela anotar o ciclo, por R$ 9,90, e um material que ela possa reler sozinha.
Kit comprado pronto ou montado em casa?
Montado em casa costuma funcionar melhor, por dois motivos. Você escolhe as marcas que ela já conhece e consegue incluir o bilhete escrito à mão, que é a parte que ela guarda.
E o kit de casa, onde fica?
No banheiro dela, num lugar que ela alcance sem precisar pedir. Ter que pedir é justamente o que faz muita menina não avisar ninguém na primeira vez.
Ela pode levar o kit numa viagem ou num acampamento?
Deve. Vale inclusive montar um terceiro, que fica na mochila de passeio, porque é fora de casa que a falta pesa mais.
Com que idade devo montar o kit?
Assim que aparecerem os primeiros sinais de puberdade, como o broto mamário. A primeira menstruação costuma vir cerca de dois anos depois disso, e ter o kit pronto antes tira a pressa da situação. Para saber em que ponto ela está, veja os sinais que antecedem a menarca.
Absorvente interno pode na primeira vez?
Pode, não existe impedimento físico, mas quase sempre não é a melhor escolha para começar. A menina precisa conhecer o próprio corpo antes, e o externo é mais simples de usar num banheiro de escola.
E se ela não quiser levar o kit?
Deixe na mochila mesmo assim, sem insistir. O kit não precisa ser aceito com entusiasmo, precisa estar lá no dia. Se ela resiste a falar do assunto, tem um caminho em quatro passos aqui.
O que não pode faltar?
Os itens de higiene são baratos e você encontra tudo em farmácia. O que costuma faltar num kit não é o absorvente, é a parte de informação. E se a menstruação já chegou, veja o que fazer nas primeiras horas.
Um kit bem montado resolve o dia. Um kit com informação dentro resolve os anos seguintes, que é quando ela vai estar sozinha com o próprio corpo e com as próprias dúvidas.
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Sobre quem escreve
Berenice Shakti trabalha há mais de vinte anos com saúde da mulher. É fisioterapeuta pélvica, especialista em sexualidade humana e em educação menstrual, e professora de yoga. Escreveu O Diário de Adelaine, que já passou de 30 mil exemplares, além das coleções de cartas para meninas e para meninos. Tem dois filhos.
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Este texto tem caráter informativo e não substitui consulta com pediatra ou ginecologista.
Referências
- UNICEF e UNFPA. Pobreza menstrual no Brasil: desigualdades e violações de direitos, 2021. brazil.unfpa.org
- UNESCO, UNAIDS, UNFPA, UNICEF, ONU Mulheres e OMS. Orientações técnicas internacionais de educação em sexualidade: uma abordagem baseada em evidências. unfpa.org
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