Primeira menstruação da filha: o que fazer

Se a sua filha menstruou pela primeira vez hoje ou nesses dias, o que você precisa agora é resolver as próximas horas, não ler um tratado sobre puberdade.

Então vamos direto: o que fazer agora, o que é normal e o que não é, e o que dizer para ela. Está tudo abaixo, na ordem em que costuma ser preciso.

E tem uma parte desse dia que costuma pesar mais do que o absorvente. Ela aparece depois da parte prática.

O que fazer nas primeiras horas

São três coisas, e a primeira é a mais importante.

  • Reaja como quem já esperava

    A sua cara nos primeiros três segundos é o que ela vai lembrar desse dia. Se você ficar emocionada, ela vai achar que aconteceu algo grande demais. Se você se assustar, ela vai achar que tem algo errado. O tom que resolve é o de quem já sabia que ia acontecer: "ah, chegou. Vem cá que eu te mostro o que fazer."

  • Resolva o prático na hora

    Mostre como usar o absorvente, onde ficam os de casa e como descartar. O ideal é trocar a cada duas a quatro horas, sem passar disso, e usar tamanhos diferentes conforme o fluxo, maiores para a noite.1 Cólica nos primeiros dias é comum e costuma melhorar com compressa morna e repouso. Se precisar de analgésico, quem indica é o pediatra.1

  • Monte a mochila hoje mesmo

    Um estojo fechado com dois ou três absorventes, uma calcinha extra e um saquinho para guardar a suja. A lista completa está em o que colocar no kit da primeira menstruação. O medo real dessa fase não é sangrar, é sangrar na escola e não ter o que fazer. Resolver isso hoje tira o assunto da cabeça dela pelos próximos meses.

O que é esperado A partir de quando investigar
Ciclo entre 24 e 38 dias Fora dessa faixa depois de 2 anos de menarca
Sangramento de até 8 dias Acima disso, ou com troca muito frequente
Ciclos irregulares nos 2 primeiros anos Irregularidade que continua depois de 2 anos
Meses sem menstruar no começo Ausência prolongada após o ciclo já ter regularizado

O que é normal e costuma assustar

A dúvida que mais aparece nos primeiros meses é a irregularidade. Ela menstrua, passa dois meses sem nada, depois menstrua duas vezes em um mês, e a mãe começa a achar que tem algo errado.

Não tem. Nos dois primeiros anos depois da menarca os ciclos podem ser irregulares no intervalo e na duração, porque o eixo hormonal ainda está amadurecendo, e na maioria das vezes isso não exige nenhuma intervenção. A regularidade se resolve sozinha para a maior parte das meninas a partir de dois anos da primeira menstruação.2

A régua muda depois desse período. Qualquer alteração de frequência, duração ou quantidade de fluxo numa adolescente que já tem mais de dois anos de menarca merece avaliação médica.2

Outras duas coisas assustam sem motivo. Sangue escuro ou amarronzado no começo e no fim do período é sangue que demorou mais para sair, e é esperado. E um intervalo grande entre o primeiro e o segundo ciclo é comum, não significa que algo travou.


O que esse dia está realmente pedindo

A parte prática desse dia se resolve em vinte minutos. Absorvente, kit da mochila, onde fica o quê. Isso é o fácil.

O que não se resolve em vinte minutos é o que ela concluiu enquanto tudo isso acontecia. Toda menina sai do primeiro dia com uma resposta pronta para uma pergunta que ela não fez em voz alta: isso aqui é uma coisa boa ou uma coisa constrangedora?

O que ela vai lembrar desse dia não é o absorvente. É a sua cara quando ela contou.

E essa resposta vai definir uma coisa muito prática nos próximos anos: se ela te procura da próxima vez que algo acontecer com o corpo dela, ou se ela procura o grupo do WhatsApp.

E agora, o que fazer com isso

Depende bastante de como ela se comportou nesse primeiro dia.

Se ela te contou na hora

Você ganhou a parte difícil. Agora é só não transformar em evento. Nada de ligar para a família toda, nada de comemoração se ela não pediu. Vergonha nessa idade é forte, e exposição fecha a porta que acabou de abrir.

Se ela escondeu e você descobriu depois

Não cobre. Esconder é a reação mais comum e quase nunca tem a ver com confiança, tem a ver com vergonha do corpo. Diga que está tudo bem, mostre o prático e deixe claro, sem cobrar resposta, que da próxima vez ela pode falar.

Se aconteceu na escola

Aí costuma ter um susto guardado. Vale reconstruir a cena com ela sem drama, perguntar o que ela fez, elogiar o que ela resolveu sozinha, e combinar o plano para a próxima vez: onde vai ficar o estojo, para quem ela avisa, o que ela faz se manchar a roupa.

Se ela não quer falar sobre isso

Respeite e não insista naquele dia. Insistência nessa idade vira pressão. Deixe o material disponível, resolva o prático e volte no assunto depois, por outra porta, num momento em que ela não seja o centro da cena. Como fazer isso sem virar palestra está neste passo a passo.

O que o silêncio faz com uma menina

Nenhuma menina que sangra pela primeira vez sem saber o que é aquilo conclui que entrou na puberdade. Ela conclui que se feriu, que tem alguma doença, ou que vai morrer. Tem quem esconda a calcinha no fundo do armário e quem atravesse o dia inteiro na escola sem contar nada para ninguém.

Esse relato aparece o tempo todo em comentários de mulheres adultas. Uma leitora escreveu assim: "a primeira menstruação foi um horror para mim, ninguém me havia preparado, pensei que estivesse morrendo, não queria ir às aulas de educação física".

O silêncio também ensina. Quando um assunto nunca é nomeado dentro de casa, a criança aprende que aquilo é proibido ali, e leva a dúvida para outro lugar. É o que aponta o relatório do UNICEF e do UNFPA sobre menstruação no Brasil. Chamar a menstruação por apelido em vez de pelo nome faz um processo normal do corpo desaparecer de vista, e o espaço que sobra é ocupado por crenças que acompanham a menina até a vida adulta.3

Se ela já menstruou, a conversa não acabou. Começou

Existe uma armadilha aqui. Muita mãe trata a primeira menstruação como um assunto encerrado: explicou, entregou o absorvente, pronto. Só que a menarca não é o fim do tema, é a entrada dele.

Depois dela vêm o ciclo e o que muda em cada fase, o corpo que continua mudando, o namoro, o consentimento, os limites, o que ela vê na internet. E é aí que a informação deixa de ser sobre higiene e passa a ser sobre proteção.

As orientações internacionais de educação em sexualidade, publicadas em conjunto pela UNESCO, UNICEF, UNFPA, ONU Mulheres, UNAIDS e Organização Mundial da Saúde, partem de uma revisão ampla de estudos sobre o tema. A conclusão é que esses programas não antecipam o início da vida sexual, e que os de boa qualidade contribuem para adiá-lo e para reduzir comportamentos de risco.4

O custo do outro lado é medido. No Brasil, 11,4% dos bebês nascidos em 2024 são filhos de mães adolescentes, contra 14,7% em 2019.5 E entre as mulheres de 14 a 29 anos que abandonaram os estudos, 23,1% apontam a gravidez como motivo, atrás apenas da necessidade de trabalhar.6 Informação sozinha não resolve um problema dessa dimensão, que envolve pobreza, acesso a serviço de saúde e violência. Mas ela é a única parte que começa dentro de casa, de graça, e muito antes de tudo isso.


A pessoa que escreveu sobre isso viveu o outro lado

Berenice Shakti é fisioterapeuta pélvica e trabalha com saúde da mulher há mais de vinte anos. Ela cresceu numa casa onde esse assunto não existia.

"Eu fui criada no silêncio. Não me faltou nada em casa, mas informação sobre o corpo não era assunto. Aos 17 anos eu engravidei."

Berenice Shakti

Quando a própria filha chegou nessa fase, ela descobriu que ter o conteúdo na mão não resolvia o problema. Sentar com uma menina dessa idade e explicar o ciclo dela raramente funciona, porque a criança fica encabulada de ser o assunto e quer que aquilo acabe logo.

A mesma menina, lendo sobre uma personagem que está passando por aquilo, aprende de lado. Ela se reconhece sem precisar se expor, e o que ela leu volta depois, em pergunta feita por ela. Foi por isso que a Berenice escreveu uma história em vez de um manual.

O livro O Diario de Adelaine

O Diário de Adelaine

É um conto ilustrado, feito para a própria menina ler. A menina da história vive num reino cinzento onde um rei baniu as cores, as canções e qualquer conhecimento sobre o corpo das mulheres. O corpo de Adelaine começa a mudar e ela é expulsa. É na floresta, com mulheres que nunca esqueceram o que foi proibido, que ela finalmente entende o que está acontecendo com ela.

Ao longo da história entram a menstruação e os ciclos, as mudanças do corpo na puberdade, o autocuidado, o consentimento e o respeito ao próprio corpo, e também como a vida é gerada, incluindo por que o corpo só está realmente pronto para gestar por volta dos 25 anos.

Paginas ilustradas do livro O Diario de Adelaine
Funciona tanto antes quanto depois da primeira menstruação. Indicado a partir dos 9 anos.

Para quem chegou aqui com a menstruação já acontecendo, ele entra menos como preparação e mais como companhia: dá nome ao que acabou de começar e abre os assuntos que vêm depois, no ritmo dela.

Paginas internas ilustradas de O Diario de Adelaine
As páginas ilustradas são o que faz a menina reler sozinha, inclusive as partes que ela não perguntou.

O Diário de Adelaine · de R$ 77,00 por R$ 69,90 · frete grátis · a partir dos 9 anos

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O que as mães contam

São 217 avaliações de compradores verificados, com média 4,8 de 5.

"Enriquecedora para esclarecer e orientar minha filha."

Elines Pantoja Duarte

"Comprei para minha filha, ela está adorando."

Josiane Fischer

"Achei muito interessante a abordagem sobre o assunto."

danimagabh

"Comprei para presentear uma pessoa. Ela amou. Veio bem embalado, com um marca-páginas de presente e uma cartinha."

Jéssica Polizer Baraldi

É normal ela ficar meses sem menstruar depois da primeira vez?

É. Nos dois primeiros anos após a menarca os ciclos podem ser irregulares no intervalo e na duração, porque o eixo hormonal ainda está amadurecendo. Na maioria dos casos isso se resolve sozinho.

De quanto em quanto tempo trocar o absorvente?

A cada duas a quatro horas, sem passar disso, e usando tamanhos diferentes conforme o fluxo. Para a noite, absorvente maior.

Quando levar ao ginecologista?

Não há urgência só por ter menstruado. A avaliação passa a ser indicada quando há alteração de frequência, duração ou quantidade de fluxo numa adolescente que já tem mais de dois anos de menarca, ou diante de qualquer sinal que preocupe você antes disso.

Ela escondeu de mim. Isso é ruim?

É comum e quase nunca tem a ver com confiança. Tem a ver com vergonha do corpo, que é intensa nessa idade. Cobrar explicação costuma fechar a porta.

O livro ainda serve se ela já menstruou?

Serve. Boa parte do conteúdo é sobre ciclos, autocuidado, consentimento e as fases da vida da mulher, que seguem valendo depois da primeira vez.

Cólica nos primeiros ciclos é normal?

É frequente na adolescência. Compressa morna e repouso ajudam. Analgésico só com indicação do pediatra.

Minha família é de valores tradicionais. Posso usar?

Pode. Não há viés religioso nem doutrinário no texto, e o momento e o ritmo da leitura quem define é a família.

A parte prática desse dia você resolve hoje. O que fica é outra coisa: a conclusão que ela tirou sobre se esse assunto pode ou não ser falado com você. Essa conclusão vale pelos próximos anos, e ela ainda está sendo formada.

O Diário de Adelaine custa R$ 69,90, com frete grátis para todo o Brasil.

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Berenice Shakti

Sobre quem escreve

Fisioterapeuta pélvica com mais de vinte anos de atendimento, Berenice Shakti é especialista em sexualidade humana e educação menstrual e também professora de yoga. Assina O Diário de Adelaine, livro que ultrapassou 30 mil exemplares, e as coleções de cartas para meninas e para meninos. É mãe de dois.

@berenice_shakti no Instagram

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Este texto tem caráter informativo e não substitui consulta com pediatra ou ginecologista. Diante de sangramento intenso, dor forte ou qualquer sinal que preocupe, procure atendimento.

Referências

  1. Hospital Pequeno Príncipe. Primeira menstruação: sinais e cuidados essenciais. pequenoprincipe.org.br
  2. Febrasgo, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Irregularidades menstruais na adolescência são normais? febrasgo.org.br
  3. UNICEF e UNFPA. Pobreza menstrual no Brasil: desigualdades e violações de direitos, 2021. brazil.unfpa.org
  4. UNESCO, UNAIDS, UNFPA, UNICEF, ONU Mulheres e OMS. Orientações técnicas internacionais de educação em sexualidade: uma abordagem baseada em evidências, edição revisada. unfpa.org
  5. Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, SINASC, via DATASUS. Dados de nascidos vivos por idade da mãe, 2019 e 2024.
  6. IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, módulo Educação, 2023. Motivos de abandono escolar entre mulheres de 14 a 29 anos. educa.ibge.gov.br

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