Se você está procurando os sinais de que a sua filha vai menstruar pela primeira vez, provavelmente já reparou em alguma coisa e ficou na dúvida se é isso mesmo.
A boa notícia é que o corpo avisa, e avisa com bastante antecedência. Abaixo estão os sinais que realmente indicam isso, quais deles enganam, e quanto tempo costuma separar cada um da primeira menstruação.
Só que tem uma segunda coisa que esses sinais dizem, e que quase ninguém comenta. Ela aparece logo depois da lista, e é a parte que costuma mudar o que a mãe faz com essa informação.
Os sinais que realmente indicam que a menstruação está chegando
Três sinais vêm do ovário começando a produzir estrogênio, e são esses que marcam a contagem.
-
O broto mamário
É uma bolinha endurecida embaixo do mamilo, às vezes só de um lado, e costuma doer quando encosta. Esse é o marco zero. Na maioria das meninas é o primeiro sinal de puberdade de verdade, e a partir dele a primeira menstruação costuma vir em dois a dois anos e meio.1
-
O estirão de crescimento
Ela cresce muito em pouco tempo e a calça fica curta de um mês para o outro. O detalhe que quase ninguém sabe é que a menstruação não vem no auge do estirão. Ela vem cerca de um ano depois do pico, quando o crescimento já está desacelerando.1 Se você percebeu que ela cresceu muito e agora parece ter estabilizado, provavelmente está perto.
-
O corrimento claro
Uma secreção esbranquiçada ou transparente na calcinha, sem cheiro forte, sem coceira e sem ardência. Esse é o aviso mais próximo de todos: ele aparece porque o estrogênio já está alterando a mucosa da vagina, e costuma surgir entre seis meses e um ano antes da primeira menstruação.2 Muita mãe estranha, acha que é infecção e corre para o pediatra.
| Sinal | Quanto falta, em média |
|---|---|
| Broto mamário | De 2 a 2 anos e meio |
| Pico do estirão | Cerca de 1 ano |
| Corrimento claro | De 6 meses a 1 ano |
Os sinais que confundem, e por que eles enganam
Existe um segundo grupo de mudanças que todo mundo associa à puberdade e que na verdade vem de outro lugar do corpo.
Os pelos pubianos e das axilas, o odor novo nas axilas, a pele e o cabelo oleosos e os primeiros cravos são causados por hormônios produzidos pela glândula adrenal, e não pelo ovário. Esse processo tem nome próprio, adrenarca, e ele corre em paralelo à puberdade, podendo começar antes dela. Sozinho, ele não caracteriza puberdade e não indica que a menstruação está a caminho.3
Na prática, isso significa que uma menina de 8 anos com alguns pelos e cheiro novo nas axilas, mas sem broto mamário, pode ainda estar longe da primeira menstruação. É o broto, e não o pelo, que começa a contagem.
Vale dizer também o que não é sinal. Chorar por tudo, ficar irritada e querer colo e distância na mesma tarde são coisas reais dessa fase, mas não servem para prever quando a menstruação vem. Humor não é marcador de nada nesse sentido, e é comum confundir.
A primeira menstruação costuma chegar entre 10 e 16 anos. Quando qualquer sinal de puberdade aparece antes dos 8 anos, vale conversar com a pediatra, porque aí existe uma investigação a ser feita.
O que esses sinais realmente estão dizendo
Quase toda mãe lê essa lista procurando saber quando vai acontecer. Só que a informação mais importante aqui não é a data.
Entre o primeiro broto e a primeira menstruação existem, em média, dois anos. Dois anos em que o corpo da sua filha já começou a mudar e ela ainda não sangrou. Essa é a única janela tranquila que vocês vão ter para conversar sobre tudo isso sem pressa, sem susto e sem nada estar acontecendo naquele minuto.
E é aqui que a maioria das famílias perde. A mãe percebe os sinais, pensa que ainda é cedo, decide esperar mais um pouco. Um pouco vira um ano. E aí acontece.
E agora, o que fazer com isso
Depois de identificar em que ponto ela está, dá para saber quanto tempo você tem e o que cabe fazer agora.
Se apareceu só pelo ou odor, sem broto
A contagem provavelmente nem começou. É a fase mais confortável de todas para começar a falar do assunto, porque nada está acontecendo com urgência. Dá para tratar higiene, cheiro e cuidado com o corpo sem nenhum peso.
Se apareceu o broto mamário
Você tem por volta de dois anos. É o momento de apresentar a menstruação como algo que vai acontecer e que já tem nome, antes que ela ouça a versão do pátio da escola. Também é a fase em que ela começa a reparar no próprio corpo e a se comparar.
Se ela está no meio do estirão
Falta cerca de um ano a partir do pico. Aqui já vale explicar o que é o ciclo, o que é o sangue e o que vai acontecer no dia. Também é hora de combinar o prático: para quem ela avisa, o que faz se acontecer na escola, onde fica o absorvente em casa.
Se apareceu o corrimento claro
São meses, talvez semanas. Nessa altura o ideal é que ela já saiba de tudo e tenha um kit na mochila. Se a conversa ainda não aconteceu, é a hora de fazer, sem esperar mais.
O que o silêncio faz com uma menina
Uma menina que sangra sem saber o que é aquilo não pensa "cheguei na puberdade". Ela pensa que se machucou, que está doente, ou que vai morrer. Algumas escondem a calcinha. Outras passam o dia inteiro na escola sem contar para ninguém.
Esse é um relato que aparece o tempo todo em comentários de mulheres adultas. Uma leitora escreveu assim: "a primeira menstruação foi um horror para mim, ninguém me havia preparado, pensei que estivesse morrendo, não queria ir às aulas de educação física".
O silêncio também não é neutro. Ele ensina. Quando um assunto nunca é nomeado dentro de casa, a criança aprende que aquilo é proibido ali, e leva a dúvida para outro lugar. O relatório do UNICEF e do UNFPA sobre menstruação no Brasil é direto nesse ponto: não nomear a menstruação, usando apelidos e eufemismos, torna invisível um fenômeno normal do corpo e alimenta mitos que prejudicam meninas a vida inteira.7
Informação boa protege, e isso não é opinião
Existe uma ideia antiga de que falar cedo desperta curiosidade e adianta o que ainda não era para acontecer. A evidência aponta exatamente para o contrário.
As orientações internacionais de educação em sexualidade, publicadas em conjunto pela UNESCO, UNICEF, UNFPA, ONU Mulheres, UNAIDS e Organização Mundial da Saúde, partem de uma revisão ampla de estudos sobre o tema. A conclusão é que esses programas não antecipam o início da vida sexual, e que os de boa qualidade contribuem para adiá-lo e para reduzir comportamentos de risco.4
Existe ainda um segundo efeito, menos falado. Uma criança que conhece o próprio corpo pelo nome correto consegue contar quando alguma coisa errada acontece com ela. Uma criança que só conhece apelidos não consegue descrever, e o relato dela muitas vezes não é nem reconhecido como denúncia pelo adulto que ouve. Nomear o corpo é uma das formas mais baratas de proteção que existem.
E o custo do outro lado é medido. No Brasil, 11,4% dos bebês nascidos em 2024 são filhos de mães adolescentes, contra 14,7% em 2019.5 E entre as mulheres de 14 a 29 anos que abandonaram os estudos, 23,1% apontam a gravidez como motivo, atrás apenas da necessidade de trabalhar.6 Informação sozinha não resolve um problema dessa dimensão, que envolve pobreza, acesso a serviço de saúde e violência. Mas ela é a única parte que começa dentro de casa, de graça, e muito antes de tudo isso.
A pessoa que escreveu sobre isso viveu o outro lado
Berenice Shakti é fisioterapeuta pélvica e trabalha com saúde da mulher há mais de vinte anos. Ela cresceu numa casa onde esse assunto não existia.
"Eu fui criada no silêncio. Não me faltou nada em casa, mas informação sobre o corpo não era assunto. Aos 17 anos eu engravidei."
Berenice Shakti
Anos depois, atendendo mulheres no consultório, ela começou a reconhecer um padrão que já conhecia por dentro.
"No consultório eu reconhecia em cada paciente o preço daquilo que ninguém falou. Um preço que eu mesma paguei."
Berenice Shakti
Quando a própria filha se aproximou dessa fase, ela descobriu que saber o conteúdo não resolvia o problema. Sentar com uma menina de 10 anos e explicar o ciclo dela raramente funciona, porque nessa idade a criança fica encabulada de ser o assunto e quer que aquilo acabe logo.
A mesma menina, lendo sobre uma personagem que está passando por aquilo, aprende de lado. Ela se reconhece sem precisar se expor, e o que ela leu volta depois, em pergunta feita por ela. Foi por isso que a Berenice escreveu uma história em vez de um manual.

O Diário de Adelaine
É um conto ilustrado, escrito para a menina ler. Adelaine cresceu num reino cinzento, governado por um rei que havia banido tudo que lembrasse o feminino: as cores, as canções, os conhecimentos sobre o corpo e até a memória das mulheres que vieram antes. Quando o corpo dela começa a mudar, ela é expulsa para a floresta. É lá, com as mulheres que guardam essas sabedorias, que Adelaine aprende o que ninguém tinha contado.
Ao longo da história entram a menstruação e os ciclos, as mudanças do corpo na puberdade, o autocuidado, o consentimento e o respeito ao próprio corpo, e também como a vida é gerada, incluindo por que o corpo só está realmente pronto para gestar por volta dos 25 anos.

Ele foi feito para ser lido junto, mas não depende disso. Boa parte das mães conta que entregou e a filha leu sozinha em dois ou três dias, e que a conversa veio depois, puxada pela menina.

O Diário de Adelaine · de R$ 77,00 por R$ 69,90 · frete grátis · a partir dos 9 anos
O que as mães contam
São 217 avaliações de compradores verificados, com média 4,8 de 5.
"Comprei para minha filha que tem puberdade precoce e foi incrível apreciar a leitura juntas. Teve um momento que ela perguntou se o livro poderia ser dela. Eu disse: como assim, ele é seu, eu comprei para você. E ela me abraçou, se sentiu acolhida e vista naquele momento, mesmo não tendo iniciado a menarca ainda."
recymbalistar
"Estou lendo com minha filha de 9 anos e estamos gostando muito da leitura. Ela está bem interessada."
michele.blanco
"Minha filha amou, agora tem uma melhor sabedoria de como funciona o corpo."
Ju Felipe
"Maravilhosa demais. Me senti abraçada. E vai ser de muita ajuda para minha filha."
Siomara Abreu
Pelos e odor nas axilas já são sinal de que vem menstruação?
Não necessariamente. Isso vem da glândula adrenal, num processo paralelo chamado adrenarca, que pode começar antes da puberdade. Quem marca o início da contagem é o broto mamário.
A partir de que idade?
A partir dos 9 anos, ou assim que os primeiros sinais aparecerem. Não precisa esperar a menstruação chegar, e na verdade o melhor momento é antes.
E se ela já menstruou?
Continua servindo. Boa parte do conteúdo é sobre ciclos, autocuidado, consentimento e as fases da vida da mulher, que seguem valendo depois da primeira vez.
Fala sobre sexo?
Fala sobre como a vida é gerada, sobre consentimento e sobre respeito ao próprio corpo, dentro de uma história e em linguagem de criança. Não é um manual de educação sexual e não descreve o ato.
Preciso ler junto?
Não precisa, mas ajuda. Muitas mães leem antes para saber o que a filha vai encontrar, e depois deixam que ela leia no ritmo dela.
Minha família é de valores tradicionais. Posso usar?
Pode. O livro não tem viés religioso nem doutrinário, e quem escolhe o momento e o ritmo da leitura é você.
Os sinais que você foi procurar hoje são o começo de uma contagem. Entre o primeiro broto e a primeira menstruação existem cerca de dois anos, e eles passam rápido. A diferença entre a menina que se assusta e a menina que já sabia o que ia acontecer costuma ser só uma coisa: alguém ter usado esse tempo.
O Diário de Adelaine custa R$ 69,90, com frete grátis para todo o Brasil.
Ver o livroKit O Diário de Adelaine mais Cartas para Adelaine · de R$ 217,00 por R$ 197,00 · frete grátis

Sobre quem escreve
Berenice Shakti é fisioterapeuta pélvica, especialista em sexualidade humana e educação menstrual, e professora de yoga há mais de vinte anos. É autora de O Diário de Adelaine, que passou de 30 mil exemplares, e das coleções de cartas para meninas e para meninos. É mãe de dois filhos.
Leia também
- Quando seu filho pergunta sobre sexoo que responder, em quatro passos
- Kit da primeira menstruaçãoo que colocar e como entregar
- Livro para menina de 10 anoscomo escolher o que ela vai ler
- Primeira menstruação da filhao que fazer nas primeiras horas
- Como conversar sobre menstruaçãoo método ABRI em quatro passos
- O Diário de Adelaine: preço e onde comprartodos os formatos e valores
- O Diário de Adelaine é bom?o que dizem as 217 avaliações
Este texto tem caráter informativo e não substitui consulta com pediatra ou ginecologista. Sinais de puberdade antes dos 8 anos devem ser avaliados por um profissional.
Referências
- Manuais MSD, edição para profissionais. Crescimento físico e amadurecimento sexual dos adolescentes. msdmanuals.com
- Febrasgo, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Primeira menstruação e saúde ginecológica: o que toda adolescente precisa saber. febrasgo.org.br
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Adrenarca precoce. sbp.com.br. Ver também Puberdade precoce, sbp.com.br
- UNESCO, UNAIDS, UNFPA, UNICEF, ONU Mulheres e OMS. Orientações técnicas internacionais de educação em sexualidade: uma abordagem baseada em evidências, edição revisada. unfpa.org
- Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, SINASC, via DATASUS. Dados de nascidos vivos por idade da mãe, 2019 e 2024.
- IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, módulo Educação, 2023. Motivos de abandono escolar entre mulheres de 14 a 29 anos. educa.ibge.gov.br
- UNICEF e UNFPA. Pobreza menstrual no Brasil: desigualdades e violações de direitos, 2021. brazil.unfpa.org
0 comentários