Se o seu filho de 8 anos te perguntou o que é sexo e você mudou de assunto, esse texto é pra você.
Uma mãe contou num fórum que a filha de 9 anos perguntou como o neném chega na barriga. Ela respondeu com a história das sementinhas e achou que tinha resolvido. Uns meses depois a menina voltou querendo saber de onde vem a sementinha, e se era pelo beijo. A mãe escreveu assim: "fiquei sem saber como abordar sem ser tão direta, e passei a semana pensando se não é cedo pra isso".
Um pai contou outra cena parecida. O filho chegou da escola dizendo que um colega chamou o outro de gostoso e falou que queria fazer sexo com ele. O menino não sabia o que era aquilo e perguntou. O pai disse que "me pegou despreparado, não soube o que responder, falei que isso passa e fui fazer outra coisa".
Se você já viveu algo assim, você sabe que a sensação que fica é de quem não tinha nada pronto na hora, e não de quem errou.
O que a gente costuma tentar
Depois de um momento desses, a maioria de nós tenta uma de duas coisas.
A primeira é esperar. A gente pensa que quando a criança perguntar de novo, aí sim vai responder direito. Só que a segunda pergunta muitas vezes não vem. Uma mãe descobriu que a filha de 10 anos tinha "namorado" um coleguinha por cinco meses e não tinha contado nada. Quando perguntou por quê, a filha disse que tem vergonha desses assuntos com ela. Enquanto a gente espera, a criança continua aprendendo, só que na escola, no grupo, na figurinha que alguém mandou. E a primeira explicação que ela recebe é a que fica.
A segunda é sentar e ter "a conversa". Aquela conversa marcada, de uma vez só, com tudo que a gente pesquisou. O problema é que ela quase nunca sai como conversa, sai como palestra: um adulto falando e uma criança sentada na frente esperando acabar. Constrange os dois. A gente fala sem graça, ela ouve sem graça, e ninguém pergunta nada. No fim, a criança pediu um copo d'água e a gente chegou com um balde. Ela se fecha, a gente sente que já falou o que tinha pra falar, e o assunto não volta mais.
Por que as duas falham
As duas tentativas falham pelo mesmo motivo, e o motivo não é falta de informação.
A gente trava porque a pergunta chega num momento qualquer, no carro, no banho, escovando o cabelo, e a gente não tem um começo na mão. E não tem porque nunca viu ninguém ter. A nossa mãe não falou, o nosso pai não falou. Quem cresce no silêncio aprende só dois jeitos de lidar com o assunto: ficar quieto ou despejar tudo. Na hora, sai um dos dois.
Uma fisioterapeuta pélvica que trabalha com mães há anos resume assim: a gente trava porque faltou um mapa, não porque falta capacidade.
O método ABRI para responder perguntas difíceis e delicadas
Esse mapa existe, e são quatro passos que servem tanto pra pergunta que chega de surpresa quanto pro assunto que você quer abrir. O interessante é que nenhum dos quatro pede que você saiba mais sobre sexualidade do que sabe hoje. Eles mudam o formato da conversa, não o conteúdo.
-
A
Acolher
Antes de qualquer resposta, dizer "que bom que você me perguntou isso". Parece pouco, mas é o que decide se vai existir uma segunda pergunta. A criança está testando se aquele assunto pode ser falado com você. Quando a primeira reação é um susto ou uma bronca, ela aprende que não pode, e leva a dúvida pra outro lugar.
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B
Buscar entender
Em vez de responder na hora, devolver uma pergunta: onde você ouviu isso? O que você acha que é? Como você se sentiu? Isso te dá duas coisas. Tempo pra respirar, e o tamanho exato da dúvida. Quase sempre a criança está perguntando algo bem menor do que a gente imaginou.
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R
Responder o suficiente
Verdade, sem desconversar, sem mentir e sem inventar história. Mas só o que aquela idade pediu. Se ela perguntou de onde vem a sementinha, a resposta é sobre a sementinha, não sobre tudo que vem depois. Responder o suficiente é o que resolve o medo do "não é cedo?". Cedo ou tarde deixa de ser uma característica do assunto e passa a ser uma decisão sua, dose a dose.
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I
Irrigar
Esse é o mais importante de todos. Nenhuma planta cresce porque alguém jogou três litros de água nela de uma vez. Ela cresce porque alguém regou um pouco todo dia. Com criança é igual. A conversa que funciona é a que volta. Um pouquinho hoje, um pouquinho na semana que vem, de outro jeito, num outro momento, até aquele assunto virar coisa normal da casa.
ABRI é um método de quatro passos para responder às perguntas difíceis da infância e da puberdade, criado pela educadora em sexualidade Berenice Shakti. Os passos são Acolher, Buscar entender, Responder o suficiente e Irrigar.
Irrigar não é repetir a mesma conversa. É voltar no tema por outra porta. Um comentário sobre uma cena da novela, uma pergunta no caminho da escola, uma lembrança sua de quando você tinha a idade dela, um bilhete deixado na mochila. Cada uma dessas voltas é pequena e não parece grande coisa. Somadas, ao longo de meses, elas fazem o que nenhuma conversa grande consegue fazer: a criança passa a saber, sem ninguém dizer, que aquele assunto tem lugar na casa dela.
O problema do irrigar é que ele exige o que a gente menos tem: lembrar de voltar no assunto no meio da correria, e ter o que falar quando volta. A gente até faz uma boa conversa numa noite e depois passa três meses sem tocar no tema, e isso não é descuido, é que falta um jeito de trazer o assunto de volta sem ficar forçado.
É aí que entra uma coisa simples que muda tudo: ter um material em casa que traga o assunto por você. Um tema por vez, na hora que fizer sentido, com o que falar já escrito, e com uma pequena ação pra semana que faz o assunto continuar vivo sem ninguém precisar "puxar conversa". Quando o tema chega pronto, o irrigar deixa de depender da sua memória e passa a fazer parte da rotina, como escovar os dentes.

As cartas que carregam o método
Foi pra isso que a Berenice Shakti, a fisioterapeuta que criou o ABRI, fez as cartas. São duas caixas, e você escolhe pelo filho que tem em casa ou pela criança que quer presentear. O método é o mesmo nas duas. O que muda são os temas e a linguagem, porque o que uma menina precisa ouvir aos 10 anos não é igual ao que um menino precisa.
Como funciona uma carta, do começo ao fim
Vale ver um exemplo inteiro, porque é aí que dá pra entender por que isso é diferente de ler um livro. Essa é a carta 9 da caixa das meninas.

9. Podemos conversar sobre tudo
"Se algo te deixa com dúvida ou medo, pode me chamar. Estou aqui."
É só isso que está na carta. Leva dez segundos pra ler em voz alta.
Aí você abre o livreto na página dessa carta, e ela vira três partes.
"Você pode, e deve, fazer perguntas, contar o que sente, dividir seus medos e sonhos. Mesmo que nem sempre pareça fácil, você tem alguém que quer te escutar. Esta carta é um convite: abra espaço para a conversa, mesmo que aos poucos. Falar é um jeito de se libertar. Escutar é um jeito de se aproximar."
"Para conversar com a sua mãe: Você sempre pôde conversar com a sua mãe quando era mais nova? Qual foi uma conversa difícil que você lembra com carinho? Como podemos criar um momento só nosso para falar sobre o que importa?"
"Criem juntas um pote das conversas. Cada uma pode escrever perguntas ou temas num papel e ir colocando dentro do pote. Uma vez por semana, tirem um bilhetinho e conversem sobre ele com carinho."

Repare no que acontece nessa sequência. A carta abre o assunto sem você precisar puxar, que é o Acolher. As perguntas são da filha pra você, e são sobre a sua vida, que é o Buscar entender sem virar interrogatório. O texto do livreto responde o suficiente e para, sem despejar. E o pote das conversas faz o assunto voltar na semana seguinte sozinho, que é o Irrigar. O método inteiro cabe numa carta.
O livreto é o que fica na sua mão
A caixa das meninas tem um livreto de 90 páginas e a dos meninos, de 116. Eles não são um manual pra você ler de capa a capa antes de começar. São um índice de conversas: você procura a carta que puxou e lê meia página. Está escrito em linguagem de criança, então dá pra ler em voz alta do jeito que está, ou contar com as suas palavras.
É também onde estão as práticas, e elas são simples de propósito: combinar uma palavra-código pra ela pedir ajuda sem precisar explicar na hora, escrever um acordo de confiança e deixar colado na parede, registrar o ciclo num caderno, esperar 24 horas antes de postar alguma coisa. São coisas que cabem numa semana corrida.
Alguns exemplos de carta


Ver a lista completa dos temas das duas caixas
Na caixa das meninas, 25 cartas
- Corpo e ciclo: a primeira menstruação, os ciclos e as fases da lua, a menarca como passagem, as mudanças do corpo, as fases da vida da mulher, higiene e autocuidado, o corpo como algo sagrado.
- Limites e proteção: seu corpo é seu espaço, consentimento, ter dúvidas é natural, de onde vêm os bebês, você não precisa ter pressa, namoro com respeito, cada coisa no seu tempo, se algo machuca peça ajuda.
- Vínculo com você: podemos conversar sobre tudo, te ouvir é um presente, a confiança que acompanha, segredos também merecem cuidado, ancestralidade.
- Emoções e amizades: amigas verdadeiras acolhem, todas as emoções são bem-vindas, intuição.
- Telas: o que postamos fica, não se compare com quem você vê nas redes.
Na caixa dos meninos, 32 cartas
- Corpo: cada corpo tem um tempo, os pelos, o suor e o novo cheiro, a ereção na puberdade, a voz que muda, o encontro com o próprio corpo.
- Respeito e consentimento: meu corpo meu espaço, não julgar pessoas como objetos, consentimento, toda mulher merece respeito, o que é respeito, respeitar o não, e as meninas sangram e nem por isso são mais fracas.
- Sexualidade: de onde vêm os bebês, você não precisa provar nada, namoro com respeito, cada etapa tem o seu tempo, a imagem que confunde.
- Internet e escolhas: a escolha do melhor caminho, com jogos e promessas de dinheiro fácil, e se algo me machucar vou pedir ajuda, na vida real ou online.
- Caráter e emoções: podemos conversar sobre tudo, amigos de verdade, a honra que me habita, a força que mora no coração, deixar boas marcas, segundas intenções, coragem não se prova, a coragem de sentir, o saber que faz crescer, ser homem de verdade e ser um homem de bem.
Qual é a sua
Para meninasCartas para Adelaine
25 cartas e um livreto de 90 páginas. Se você tem uma filha, ou quer presentear uma menina, é essa.
Ver as cartas para meninas
Para meninosCartas Que Todo Menino Deveria Receber
32 cartas e um livreto de 116 páginas. Se você tem um filho, ou quer presentear um menino, é essa.
Ver as cartas para meninosO que quem usa diz
As duas coleções somam 16 avaliações de compradores verificados, com média 4,8 de 5.
"Uso em aulas de yoga infantil com alunas de 10 anos. O material das cartinhas é enriquecedor e abre espaço de forma sutil para diálogo sobre as questões do corpo da menina moça, consentimento, confiança em si mesma, entre outros temas super importantes que muitas mães têm dificuldade de falar com as filhas. Excelente material, uso semanalmente."
Potira Del Duca Gomes, sobre as cartas das meninas
"É impressionante como conseguiu unir delicadeza e objetividade em tratar de temas tão diversos e importantes. Eu, como mãe de um garotinho que está entrando na puberdade, me senti acolhida com o seu trabalho. Me emocionei até lendo algumas das cartas."
nanachame, sobre as cartas dos meninos
"Ajuda a abordar vários temas importantes num formato versátil e conciso. Aqui estamos fazendo em forma de jogo."
bidelari, sobre as cartas dos meninos
"Ótima experiência para fortalecer vínculos entre pais e filho enquanto ensinamos valores. Foi bastante divertido e enriquecedor este momento."
gabriellawmfontes, sobre as cartas dos meninos
Somando o livro e as duas caixas, a Berenice fala em mais de 40 mil famílias.
Cada caixa · de R$ 143,00 por R$ 129,90 · frete grátis para todo o Brasil · a partir dos 8 anos
Não é cedo?
A dose é sua. Você lê o livreto antes, escolhe qual carta abrir aos 9 e qual guardar pros 12. E o tema mais delicado, de onde vêm os bebês, fala de duas sementes, óvulo, espermatozoide e útero, e para aí.
Tenho um menino e uma menina. Preciso das duas?
Sim, cada caixa foi escrita pra um. Quem tem os dois em casa costuma levar as duas e usar cada uma no tempo de cada filho.
A partir de que idade?
A indicação é dos 8 aos 14 anos, que é quando as mudanças começam a aparecer. Antes disso dá pra usar escolhendo só as cartas mais simples, e depois disso vários temas ganham profundidade.
Minha filha já tem 13 e já menstruou. Perdi a janela?
Não. Vários temas ganham profundidade justamente nessa fase, como consentimento, namoro com respeito, o que se posta na internet e as amizades. O que muda é o ponto de partida: em vez de preparar para o que vem, vocês conversam sobre o que já está acontecendo.
Minha família é de valores tradicionais. Posso usar?
Pode. O material não tem viés religioso nem doutrinário, e quem decide a ordem e o ritmo é você.
E se a criança não quiser conversar?
Quem pergunta é ela, e o livreto avisa que tudo bem se houver silêncio. Às vezes só estar junto já é a conversa.
Pode usar sem ser a mãe?
Pode. O livreto diz que serve pra qualquer adulto de confiança, pai, avó, tia ou madrinha. A caixa dos meninos foi pensada justamente pra envolver o pai também.
A Berenice costuma dizer que existem dois tipos de pai e mãe: o que espera a crise chegar para reagir, e o que se prepara antes. A diferença entre os dois não é quanto cada um sabe sobre o assunto. É ter alguma coisa na mão quando a pergunta chega.
Cada caixa custa R$ 129,90, com frete grátis pra todo o Brasil.
Tenho uma meninaTenho um meninoPara meninas, o kit reúne a caixa de cartas e o livro O Diário de Adelaine · de R$ 217,00 por R$ 197,00 · frete grátis

Sobre quem escreve
Berenice Shakti é fisioterapeuta pélvica, especialista em sexualidade humana e educação menstrual, e professora de yoga há mais de vinte anos. É autora de O Diário de Adelaine, das Cartas para Adelaine e das Cartas Que Todo Menino Deveria Receber, e mãe de dois filhos. Criou o método ABRI a partir do atendimento a mulheres e do trabalho com mães.
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Os relatos citados foram colhidos em consultas públicas de pais e mães a profissionais de saúde e em fóruns abertos, com nomes omitidos.
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